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A Wikipedia define marketing como “uma estratégia empresarial de otimização de lucros por meio da adequação da produção e oferta de mercadorias ou serviços às necessidades e preferências dos consumidores”.

Uma definição justa, mas que está longe de definir marketing em toda sua complexidade prática e teórica.

No últimos anos alguns autores também economizaram esforços para definir marketing de uma forma mais direta. Kotler por exemplo, definiu marketing como “um processo social pelo qual os grupos e indivíduos têm necessidades e anseiam por meio da criação da oferta e troca de produtos e serviços de valor com outros.”

Uma definição poética mas um tanto abstrata.

Após ler centenas de livros à respeito e estar totalmente absorvido neste universo nos últimos anos, cheguei à conclusão de que marketing não pode ser entendido (pelo menos não completamente) como um “processo”.

Minha definição de marketing é:

“Marketing é ajudar as pessoas a resolverem seus problemas. É o ato de promover um produto ou serviço que beneficia um grupo seleto de pessoas que se importam com o que você está oferecendo, sendo remunerado por isso em forma de lucro e/ou reconhecimento”

Qual a utilidade do marketing?

Em um mundo imaginário e utópico, as pessoas jamais precisariam se preocupar com marketing. Empresas iriam produzir seus produtos e oferecer seus serviços de forma orgânica, as pessoas em necessidade comprariam e tudo se resumiria em uma transação simples e transparente, onde as empresas boas se manteriam no mercado e as ruins desapareceriam.

Mas não vivemos neste mundo.

Vivemos em um mundo transbordado de informações, opções e mensagens subliminares. Neste mundo, o papel do marketing é justamente expor os serviços e produtos que podem resolver os problemas de pessoas específicas, em situações ainda mais únicas.

Sim, fazer marketing muitas vezes envolve comunicação persuasiva e um certo nível de agressividade frente aos concorrentes mas isso é uma consequência negativa de um sistema positivo – sim, estou falando do capitalismo.

Só quem entende o capitalismo pode entender a importância do marketing

Todo mundo tem aquele amigo mais alternativo que considera o capitalismo a fonte de todo o mal. Este tipo de pessoa falha em entender que apesar de seus pontos negativos, o capitalismo é o modelo de organização social mais livre que conhecemos até hoje.

Este amigo nunca vai entender porque o marketing é importante já que ele acredita que o mesmo é fruto da ambição incentivada pelo capitalismo – como se em sociedades comunistas/autoritárias os governos não investissem milhões de dólares em marketing para “educar” a população.

Este viés ideológico simplesmente “cega” a pessoa frente aos seguintes fatos:

a. a lei da oferta e demanda não foi criada pelos homens. Trata-se de um comportamento justificado pela biologia evolutiva (esta é a hora de fechar o texto se você não acreditar em evolução);

b. onde existe desequilíbrio entre oferta e demanda existe a necessidade de escolha por parte do indivíduo;

c. nossas escolhas são SEMPRE influenciadas pelo nosso contexto social e histórico;

d. a única maneira de influenciar certas escolhas é modificando o contexto nas quais elas são inseridas;

e. em uma sociedade moldada pelo consumo não apenas de bens físicos como também de serviços e ideias, o marketing é a ferramenta mais eficaz para mudar o contexto das pessoas.

Em outras palavras, se você quer mudar o comportamento das pessoas para melhor, você precisa influenciar suas escolhas. Para influenciar suas escolhas, você precisa modificar seu contexto.

E qual a melhor maneira de influenciar o contexto das pessoas se não expondo suas ideias e produtos por meio do marketing?

Não estou aqui sendo inocente ao afirmar que todos as pessoas que conhecem e se beneficiam com o marketing têm consciência disso. Muito pelo contrário, pelo o que observo as pessoas que mais ganham dinheiro e reconhecimento com o marketing são aquelas que as piores intenções possíveis.

Mas só porque a maioria dos políticos brasileiros são corruptos significa que TODOS os políticos brasileiros são. Ou melhor, não significa que se você entrar na política você obrigatoriamente deve ser corrupto.

Se uma pessoa entra no museu e começa a destruir uma obra de arte com o martelo, a culpa não é do martelo. A culpa é da pessoa que usou o martelo (que é uma ferramenta que pode construir ou destruir) para um objetivo ruim.

Estamos falando de uma ciência extremamente complexa que envolve desde psicologia social até economia, ciência de dados e biologia. No fim das contas o marketing é mais uma ferramenta que pode ser usada para o bem ou para o mal.

Eu escolho usá-la como uma ferramenta para melhorar o mundo, e você?

Para mais conteúdos como esse, acesse o portal Insights.

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