Você já ouviu falar de storytelling para negócios? Talvez você nunca tenha sido apresentado à técnica, que traz para o conteúdo empresarial a velha e boa arte de contar histórias que incentivam uma ação do consumidor, mas com certeza já se deparou com diversas publicidades desenvolvidas a partir desse conceito.

O termo storytelling para negócios está em alta – e não à toa. Trata-se de um recurso publicitário em potencial. A técnica é baseada em estudos como a Jornada do Herói, de Joseph Campbell, e visar colocar as marcas como mentores que levarão o herói – no caso, o cliente – a viver reais aventuras a partir do que ela oferece.

E por que usar essa ferramenta no marketing? Porque as pessoas se sentem naturalmente atraídas por ouvir histórias. Seja na apresentação de uma ideia, na venda de um item ou na conscientização de uma causa, contar histórias é uma estratégia cativante porque envolve emoções. 

E comprar é uma ação emocional.

Um exemplo recente do storytelling para negócios deve ter chegado ao seu conhecimento nos últimos dias: a Renault inovou no formato publicitário para divulgar o lançamento do SUV Kwid Outsider. A estratégia adotada no comercial live action alcançou os Trending Topics no Twitter e rendeu mais de 27 milhões de visualizações no YouTube.

Com tanta repercussão, você provavelmente sabe do que estamos falando: a marca se apropriou da série animada Caverna do Dragão para construir uma narrativa em torno da qual o produto se destaca.

A divulgação de fotos antes do comercial ir ao ar fez com que saudosos fãs considerarem a possibilidade de um filme completo, o que garantiu ainda mais mídia gratuita quando a propaganda foi ao ar.

Nesse exemplo recente, a Renault primou pelo conteúdo que conversa com a emoção das pessoas. Quem viveu a infância ou adolescência nas décadas de 1980/90 – justamente quem pode, hoje, dirigir e/ou pagar por um carro – certamente se lembra do desenho com carinho.

A técnica do storytelling tem essa intenção: mexer com o emocional de quem pode comprar um produto ou serviço, trazendo o receptor da mensagem para mais perto do que é ofertado.

A história do desenho se passa em um parque de diversões, onde um grupo de crianças entram no brinquedo “Caverna do Dragão” e são transferidas para um mundo mágico, cheio de aventuras. Com a ajuda do Mestre dos Magos, tentam voltar para casa, além de derrotar o Vingador, temido vilão da história.

Uma história normal de fantasia, certo? Mas tem um detalhe que a Renault soube aproveitar muito bem: a série animada não teve um desfecho oficial, ou seja, nunca teve um final declarado. Assim, por anos, os fãs tentam desvendar qual seria a última aventura da turma, que permanece inacabada.

Como a Renault utilizou storytelling para negócios

Através do live action, a agência DPZT, responsável pelo comercial, se valeu do enredo da animação e do anseio dos espectadores por um desfecho para promover o produto. Assim, o Kwid Outsider não foi simplesmente representado como um carro, mas como o meio de transporte utilizado pelos personagens para conseguir realizar o objetivo de voltar para casa.

Dessa forma, a marca deu um “final” aos fãs da série, mostrando como eles, finalmente, voltam para casa. De quebra, veiculou seu produto e recebeu tratamento de estudo de caso de blogs especializados e profissionais da publicidade – o que aumenta o poder de divulgação da ação.

Essa publicidade, totalmente construída através da técnica de storytelling para negócios, é brilhante. Aqui estão os principais motivos para concluirmos isso:

  • ela consegue atingir o público alvo pela faixa etária (30 a 45 anos). Certamente, esse público foi avaliado e definido em prévias pesquisas mercadológicas. A idade em questão, teoricamente, corresponde a um público financeiramente estável, apto para aquisição de um automóvel;
  •  como dissemos anteriormente, a faixa de público da Renault “coincide” com o estímulo de uma memória afetiva da geração que acompanhava esse desenho na infância;
  •  a ação propõe um término criativo para as conjecturas de quem estava há duas décadas pensando em conclusões para a narrativa. Afinal, estamos acostumados com fábulas que oferecem início, meio e fim;
  •  nesse caso, o storytelling para negócios eleva o produto a um status heroico, pois afirma que o Kwid conseguiu o impossível, uma vez que o enredo era baseado na expectativa sempre frustrada de deixar a Caverna do Dragão.

Utilizar o storytelling para negócios é um meio de propagar a voz da marca de forma a deixá-la atemporal. No futuro, essa propaganda ainda será lembrada pelos amantes do desenho animado, pelas escolas de publicidade e pelos criadores de conteúdo. Seria bem diferente se a Renault tivesse apenas falado sobre os diferenciais do novo carro e o valor de compra na concessionária, certo?

É isso que o storytelling evita: o óbvio. E é por isso que ele tem sido cada vez mais aplicado na comunicação, digital e off-line, das empresas.

Porque o storytelling para negócios é essencial no marketing

O que é mais provável? Manter a atenção da audiência em um comercial que, por cerca de dois minutos, vai falar mais do mesmo, ou surpreendê-la com uma boa história durante esse período?

A julgar pela pesquisa do Google “Renault Caverna do Dragão” e qualquer outra ação da publicitária da Renault, o storytelling dá mais resultado.  

Nas publicidades anteriores, a Renault apostou em um modelo de comercial mais tradicional e, embora tenha utilizado celebridades em sua apresentação, seu efeito não pode ser comparado com a euforia dos espectadores diante da associação feita com a animação dos anos 1980.

Por mais que possa piegas, o efeito da história na decisão de compra de alguém pode ser cientificamente comprovado. E aqui vai uma observação importante: usamos o exemplo da Renault porque essa é a comunicação de storytelling mais bem-sucedida do país, no primeiro semestre, entre as grandes empresas. Mas isso não significa que só grandes empresas possam se utilizar da técnica.

Aplicar esse princípio nos pequenos e médios negócios não só é possível como, também, é importante pois é uma forma de para conquistar o público pela empatia. Mexer com sentimentos envolve pesquisa, de público e de tema, mas não precisa significar orçamentos milionários. Com criatividade e conhecimento sobre marketing de conteúdo é possível desenvolver storytelling para negócios sem gastar muito.

Agindo como um roteirista para criar seu Storytelling

A Coca Cola é um outro grande exemplo de sucesso no quesito storytelling para negócios. Através de suas campanhas, criou uma forte relação entre o refrigerante e estado de felicidade por curtir a bebida entre amigos. Mas, enquanto você não dispõe dos mesmos recursos que a Coca para investir em campanhas super elaboradas, é sempre bom seguir algumas dicas para construir suas próprias narrativas.

Inicialmente, identifique a filosofia do seu negócio. Pense na experiência que deseja proporcionar ao seu cliente. Feito isso, pergunte-se: qual o perfil do meu consumidor? Qual a sua faixa etária? Qual o seu estilo de vida? Respondendo a essas perguntas, você saberá direcionar a linguagem adequada para estabelecer uma comunicação efetiva com seu cliente.

Perceba que uma das principais sacadas do live action da Renault foi identificar o perfil de cliente que gostariam de atingir. Por isso, criar uma persona pode ajudar bastante no desenvolvimento do seu storytelling para negócios.

A partir daí, explore a história da sua marca. Procure elaborar sua narrativa em torno da missão e dos valores do seu produto. Essa abordagem deve convencer o cliente de que ele ficará satisfeito em escolher você ao invés da concorrência.

Outra possibilidade interessante pode ser empregar cases de sucesso. Utilize depoimentos de clientes que aprovaram o seu trabalho, uma vez que essa estratégia pode prospectar novos compradores. Através da “prova social”, a história contada transmite credibilidade e indica o reconhecimento de quem já comprovou sua competência.

Se você ainda não testou o storytelling para negócios dentro da sua estratégia de marketing digital ou off-line, fica a sugestão: pesquise, inspire-se e crie narrativas arrebatadoras. Todos gostamos de uma boa história, especialmente quando somos o herói.

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