Fazer sorteio nas redes sociais é uma possibilidade que sempre surge em reunião de planejamento, principalmente quando há lançamento de algum produto ou serviço. Mas, ao contrário do que muitos pensam, nem sempre a ação terá finalidade estratégica.

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Isso é visível, por exemplo, quando o prêmio do sorteio das redes está relacionado diretamente ao produto ou serviço que a empresa vende. Ao colocar nos holofotes o item em questão como prêmio, você pode estar congelando as vendas dele. Não é preciso ser um expert para entender o quão contraproducente esse sorteio pode ser.

Por exemplo: imagine que sua empresa está organizando um evento de marketing digital que vai ser realizado no dia 20 do mês. Para gerar um buzz, sua equipe sugere o sorteio de um par de ingressos, cujo resultado será dado cinco dias antes de o evento começar.

Até aí, tudo bem: o prêmio é interessante e as redes sociais vão ficar movimentadas, com muitos comentários e curtidas. Mas, por outro lado, imagine dezenas de pessoas vendo esse post no dia 5, participando do sorteio e deixando de comprar o ingresso.

Afinal, se a pessoa ganhar o sorteio, terá gasto dinheiro à toa na compra – perdendo, inclusive, descontos de primeiro lote.

Acredite: isso pode acontecer em larga escala, com milhares de pessoas. Assim, a ideia foi boa, mas a execução ruim pode causar um efeito rebote, e congelar exatamente aquilo que você quer movimentar para vender.

Cuidados ao fazer sorteios nas redes sociais

Para que os sorteios nas redes sociais sejam bem-sucedidos, alguns cuidados são importantes. 

O primeiro é não sortear o produto ou serviço que se vende, uma vez que, até que o resultado saia, ninguém compra.

E a relação direta entre o prêmio e o sorteio ainda tem a questão da frustração: quando a pessoa participa de um sorteio e não ganha, a chance de consumir o que está sendo sorteada é pequena. Isso ocorre porque, em geral, a mentalidade é: “eu podia ter ganho esse produto/serviço, mas, em vez disso, estou pagando por ele”. 

Não há nada pior para uma marca do que gerar no consumidor o sentimento de que ele teve algum tipo de prejuízo ao consumir da empresa.

O segundo cuidado fundamental para fazer sorteios nas redes sociais é pensar um modelo de ação que atraia pessoas qualificadas, ou seja, pessoas que vão continuar consumindo os conteúdos da marca, ainda que não ganhem absolutamente nada.

Há alguns anos, um empresário fez um sorteio de iPhone 6, lançamento à época, em troca de curtidas no Facebook. Todo mundo que começasse a seguir a página poderia participar do sorteio, e a marca angariou 20 mil curtidas em duas semanas.

Muitas empresas acham que esse número é excelente. E pode até ser. Mas, no caso desse empresário, depois do sorteio os conteúdos de sua página tinham engajamento muito baixo.

E por que? Porque as pessoas estavam interessadas no prêmio, e não nos produtos ou serviços que a empresa vende.  

Perceba que o primeiro cuidado está relacionado a não sortear o que você vende, e o segundo cuidado está relacionado a um produto aleatório e, mesmo assim, a ação não é recomendável. 

O que fazer, afinal?

Segmente seu sorteio para o público certo.

Quando uma empresa faz sorteio pedindo às pessoas para curtir, comentar e marcar amigos, ela vai ter uma impressão de que a ação dá certo, já que o volume de engajamento tende a aumentar durante o período do sorteio. Mas isso se explica por uma expressão bem popular: de graça, até injeção na testa.

Quanto mais fácil for participar de uma ação premiada (curte aqui, marca seu amigo, segue nosso parceiro), mais pessoas participarão. Mas, nem sempre, você vai sortear prêmios para as pessoas certas.

Usando o exemplo do evento de marketing digital, o público-alvo dessa ação tem interesse em marketing digital, pois são potenciais clientes. Nesse caso, o sorteio para um par de ingressos pode ser feito através de uma pergunta técnica, como perguntar como a pessoa utiliza o Instagram para vender mais no marketing digital. A resposta mais criativa ganha.

Através dessa ação, os comentários do post do sorteio serão extremamente qualificados, já que as pessoas que participam dele reconheceram a pergunta, entenderam e tiveram interesse em responder. Assim, a empresa presenteará um ganhador, mas terá o contato de vários clientes em potencial – inclusive para enviar cupons de desconto.

Afinal, sortear ou não?

A decisão depende das estratégias de cada empresa, mas sortear é legal e pode dar muito resultado, desde que a ação seja realizada de forma estratégica. Não dá pra fazer por fazer. 

Caso contrário, você vai ver os números subindo durante o período do sorteio, mas isso não quer dizer que sua campanha foi bem-sucedida. O que os números mostram é que muitas pessoas se interessaram pelo item que você estava sorteando, e não, necessariamente, pelo seu conteúdo. 

Fazer sorteios nas redes sociais só é válido quando traz retorno para a empresa – e é essencial que ele seja financeiro. Número de seguidores, curtidas, comentários são valores conhecidos como “métricas de vaidade”. Um perfil com poucos seguidores pode realizar muitas vendas, enquanto um com milhares de pessoas não realiza venda nenhum.

Por isso, periodicamente, mensure: quantas vendas você faz pelas redes sociais? É importante ter essa informação para não gastar dinheiro com os números de vaidade com ações que não vão dar nenhum retorno. 

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