Apple encobre concorrentes na App Store

Apple encobre concorrentes na App Store

Em recente artigo publicado no NY Times, Jack Nicas e Keith Colins mostraram uma realidade inconveniente: não importa o que você faça, seus aplicativos nunca estarão na frente dos aplicativos da Apple dentro da App Store.

Para exemplificar isso, os jornalistas pesquisaram pelo termo podcast dentro da plataforma. Foi necessário passar por 14 aplicativos diferentes, muitos sem qualquer relação com o termo da pesquisa, até achar uma empresa que não fosse a própria Apple

Exceto um anúncio em primeiro lugar, todos os espaços iniciais eram propositalmente ocupados pela companhia dona da loja online.

E, enquanto isso pode não parecer muita coisa inicialmente, basta lembrar que a App Store movimentou mais de 50 bilhões de dólares em 2018, e dois terços das vendas vieram de buscas. 

Contudo, enquanto a companhia é concorrente dentro da própria plataforma, isso vem chamando a atenção de organizações antitruste nos EUA, Europa e Rússia. 

Em resposta, a companhia culpou o algoritmo, e afirmou que algumas mudanças foram feitas. Paralelamente, Phillip Schiller, vice-presidente sênior da App Store da empresa, afirmou:

“Não há nada que façamos com as buscas na App Store que seja feito de maneira a induzir downloads de nossos próprios aplicativos. Nós apresentamos resultados com base no que acreditamos que seja de interesse do usuário.”

Porém, a questão é mais complexa do que isso. 

Até a Apple adicionar seus aplicativos à loja online em 2016, o Spotify era a plataforma de música que aparecia em primeiro colocado, e se manteve assim por muito tempo, quando o termo pesquisado era “música”. 

Com a adição dos aplicativos da empresa, a primeira posição passou para Apple Music, enquanto a gigante do streaming caiu para 4ª posição. Porém, em fevereiro de 2018, todas as seis primeiras posições eram de aplicativos da própria Apple para a pesquisa do termo “música”. 

Ao final de 2018, os oito primeiros resultados eram da Apple, e o Spotify estava na 23ª posição. 

Depois que a empresa de streaming peticionou a reguladores europeus acusando a Apple de abusar de seu poder como gerenciador da plataforma, todos os aplicativos, exceto 2, desapareceram das páginas iniciais. 

A empresa de tecnologia, hoje, enfrenta uma de suas maiores acusações antitruste, e a resposta dos executivos da empresa continua sendo de negativa. 

Schiller e Eddy Cue, vice presidente sênior de outros segmentos da empresa, continuam afirmando que não há erro técnico ou má intenção no resultado das buscas. 

Contudo, empresas de tecnologia vêm angariando dados e realizando estudos que demonstram sim uma supremacia de resultados a favor da Apple em sua própria loja de aplicativos. 

Os números variam entre 3 e 14 aplicativos por busca, e os principais concorrentes em determinados segmentos são penalizados e ficam em posições muito inferiores hoje comparado ao período anterior à chegada dos apps na loja. 

A insistência das empresas de aplicativos em estar na App Store, contudo, tem um motivo. O controle próximo e direto da empresa sobre seus projetos gera maior confiabilidade do que o Google Play Store, e a App Store gera mais dinheiro para os desenvolvedores. 

Foi nesse sistema que empresas como Facebook, Spotify e Yelp alavancaram exponencialmente seus negócios desde o surgimento da plataforma, em 2008. 

Agora, contudo, todas as empresas em segmentos concorrentes às aplicações da Apple sofreram quedas em lucros e números de downloads na plataforma. 

De acordo com Amy Fitzgibbons, diretora de marketing do Stitcher, famosa plataforma de podcasts, a empresa sequer consegue resultados e downloads pelo termo “podcast” na App Store

O jornal The Times verificou que esse não é um exemplo único. Desde o lançamento da ferramenta de pagamento online Apple Wallet, esse aplicativo tem rankeado em primeiro lugar para “débito”, “crédito” e “dinheiro”. 

Porém, os executivos da empresa disseram que isso nem sempre vem em favor da empresa, e que buscas pelo termo “office” (na loja em inglês) exibe todos os aplicativos da Microsoft em primeiro lugar, porque o algoritmo reconhece que a pessoa procura por algum deles. 

Desde que notado e apontado esse problema nos resultados, os engenheiros da empresa alteraram parte do algoritmo, e muitas buscas voltaram ao normal. 

Fica, contudo, o questionamento sobre as intenções da empresa nessa e em outras questões, e levanta a dúvida se outras lojas online não farão o mesmo no futuro. 

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