Strauss considerava Oppenheimer um risco à segurança porque ele havia permitido que seu irmão Frank, membro do Partido Comunista, trabalhasse no Projeto Manhattan – e por causa das associações de Oppenheimer com outros comunistas nas décadas de 1930 e 1940.
Como chefe da Comissão de Energia Atômica, Strauss manteve a sua rivalidade com Oppenheimer. Na verdade, ele impôs como condição para aceitar o cargo que o físico fosse mantido afastado de todas as informações confidenciais sobre questões nucleares.
Mas o próprio Oppenheimer se referiu em 1965 a alegações de que Einstein havia de alguma forma participado da criação daquela arma de destruição em massa. "As alegações de que ele trabalhou na criação da bomba atômica eram, na minha opinião, falsas", disse ele na conferência de Paris naquele ano.
Com as crescentes acusações contra o físico e pelo fato de não apoiar o uso de novas bombas atômicas, Oppenheimer começou a ser taxado como traidor do governo dos EUA, mesmo tendo servido ao país durante a guerra.
Ele queria entrar na inteligência, mas foi bloqueado, supostamente porque o Diretor de Inteligência Naval da Marinha dos EUA tinha preconceito contra os judeus e porque as contribuições de Strauss para B'nai B'rith levantaram suspeitas por parte do diretor do FBI J.
Washington Está Destruindo os EUA para Dominar o Mundo | Dr. Arthur Khachikian
Quem traiu Oppenheimer no filme Oppenheimer?
Além desses personagens, Oppenheimer também destaca algumas figuras históricas que retrataram de maneira diferente da realidade. Por exemplo, o filme sugere que o comunista Jean Tatlock traiu J. Robert Oppenheimer para passar informações secretas para os soviéticos.
Um dos acusados de Oppenheimer é o seu colega Teller, o descobridor da bomba de hidrogênio, que alega não entender com clareza as atitudes do pai da bomba atômica, julgando a sua conduta “confusa e complicada”. E Oppenheimer foi condenado porque um outro cientista não conseguia entende-lo.
Devido ao relacionamento deles e sua filiação ao Partido Comunista, ela foi colocada sob vigilância pelo FBI e seu telefone foi grampeado. Tatlock sofria de depressão clínica e faleceu por suicídio em 4 de janeiro de 1944.
Klaus Fuchs morreu em 1988, 43 anos depois que a bomba atômica de Oppenheimer ajudou a encerrar a Segunda Guerra Mundial . Com 76 anos na época, seu óbito foi mencionado como 'causas desconhecidas'.
O que Einstein falou para Oppenheimer no final do filme?
"Se eu soubesse que os alemães falhariam na construção da bomba atômica, não teria participado da abertura dessa caixa de Pandora” é uma das frases mais impactantes ditas pelo físico alemão Albert Einstein após seu apoio ao Projeto Manhattan, liderado por J. Robert Oppenheimer.
Na noite do bombardeio de Hiroshima, Oppenheimer foi aplaudido por uma multidão de colegas cientistas em Los Alamos e declarou que seu único arrependimento era o fato de a bomba não ter sido concluída a tempo de ser usada contra a Alemanha.
O consenso parece ser o de que Oppenheimer tinha capacidade intelectual de sobra para levar um Nobel para casa, mas suas realizações como cientista não ficaram à altura dessa possibilidade –por pouco.
Os cientistas que ele liderou em Los Alamos, provavelmente, formavam o grupo mais talentoso de cérebros já reunidos em um único laboratório — 12 deles viriam a ganhar o Prêmio Nobel. Em 1954, no auge da era McCarthy, Oppenheimer foi acusado de ser comunista e até de espionar para a União Soviética.
Porque Einstein não participou do Projeto Manhattan?
Segundo várias fontes, Einstein, de 64 anos, não foi incluído no projeto por causa de sua origem alemã e de suas ideias de esquerda. Além disso, as diferentes concepções das teorias da física que existiam entre ele e Oppenheimer também tiveram peso na decisão.
O que aconteceu com Robert Oppenheimer após o julgamento?
Robert jamais recuperou sua autorização de segurança, apesar de investigações posteriores descobriram que ele não tinha laços com a União Soviética. Conforme noticiou o The Guardian, Oppenheimer só foi oficialmente inocentado de todas as acusações em dezembro de 2022 — mais de cinco décadas após sua morte, em 1967.
Após a morte de seu pai, Peter estabeleceu-se permanentemente no norte do Novo México, residindo na fazenda Perro Caliente, que seu pai havia adquirido anos antes. Segundo o Today, Peter ainda mora no Novo México e atua como carpinteiro.
Arrependimento. Oppenheimer logo se arrependeu de ajudar na criação da bomba. Preocupado com uma escalada armamentista mundial, ele se tornou um defensor do controle internacional de armas nucleares.
Robert Oppenheimer faleceu em 18 de fevereiro de 1967 por conta de um câncer de garganta. Essa doença foi causada pelo hábito rotineiro do cientista de fumar. Os últimos anos da sua vida ficaram marcados pela perseguição política.
Strauss era, na vida real, um homem com grande poder e influência em Washington em meados do século 20. Ele desconfiava fortemente de Oppenheimer. Eles estavam em polos ideológicos opostos e tiveram divergências sobre energia nuclear que se misturaram com disputas pessoais.
Mas os russos penetraram de fato no Projeto Manhattan – a maior violação de segurança da história dos EUA. Vários cientistas que trabalharam no Projeto Manhattan forneceram informações importantes sobre a pesquisa da bomba atômica dos Estados Unidos para a União Soviética.
De fato, Einstein era pacifista declarado e sempre se distanciou do projeto Manhattan. Ele sempre insistia que sua participação na liberação da energia atômica foi "muito indireta". Se houve um instigador, foi Leo Szilard (1898-1964), ex-aluno de Einstein.
O mais famoso e importante deles foi, de fato, Klaus Emil Julius Fuchs, um físico alemão que trabalhou em Los Alamos, sob a supervisão de Robert Oppenheimer. Atuou infiltrado e forneceu segredos importantes para os comunistas.
Quase todos os historiadores concordam que ele tinha fortes visões de esquerda nesse período e interagiu com membros do partido, mas é controverso se ele era oficialmente membro do partido.
Robert Oppenheimer, e de Robert Downey Jr. irreconhecível no papel do traidor Lewis Strauss. Um filme que narra a criação verdadeira da “bomba atômica”, pelos EUA, durante a Segunda Guerra Mundial. Narra toda a excitação e contradições de Oppenheimer diante de tanto brilhantismo e tal desafio.