O Corpo de Cristo, sob os acidentes do pão, não tem extensão nem quantidade próprias; assim não se pode dizer que a tal fragmento da hóstia corresponda tal parte do Corpo de Cristo. Quando o pão consagrado é partido, só se parte a quantidade do pão, não o Corpo de Jesus.
Os primeiros cristãos compararam o corpo partido de Jesus ao grão que, após ser moído, é transformado em farinha e, depois de ter sido misturado com a água da vida e passado no fogo do Espírito Santo, se transforma em Pão.
O que significa pegar o pão dos filhos e dar aos cachorrinhos?
A resposta de Jesus parece dolorosa, mas, na verdade, é um provérbio. Os judeus consideravam que aqueles que não faziam parte do povo eleito eram como cães. O Senhor foi até carinhoso ao dizer: “Não fica bem eu tirar o pão dos filhos para dar aos cachorrinhos”. Que mulher de fé extraordinária!
A Bíblia mostra o pão como alimento que alimenta o corpo e a alma, sacia a fome e toda necessidade humana. O pão na Bíblia representa o Corpo de Cristo que se entregou por amor pela humanidade como o verdadeiro alimento, “O Pão vivo descido do céu” (Jo 6,41.51).
Por que Jesus escolheu o pão para recordar seu corpo?
Parte da resposta está na tradição judaica, a qual Jesus deu novo significado. Segundo o doutor em teologia sistemática, padre Marcial Maçaneiro, "o pão lembra a colheita, a oferta das primeiras coisas, que eram colhidas nos ramos de trigo, para Deus, e Jesus assume esse sentido bonito de pão, de colheita.
Nela, o pão representa o corpo de Jesus entregue por nós, e o cálice simboliza o Seu sangue derramado para a nossa salvação. Participar da Ceia é reafirmar nossa fé e comunhão com Cristo.
Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”. Assim, Jesus revela que se sente chamado não a dar algo, mas a dar tudo de si mesmo! Então, eles pedem a Jesus que lhes dê esse pão e que o dê para sempre. E ele responde com a revelação inédita: “Egó eimi, eu sou o pão da vida”.
Num momento de carência espiritual e física, Jesus Cristo transformou o pão, tornando-o símbolo do alimento espiritual, afirmando "Tomai e comei! Eu sou pão..." Assim o pão torna-se sagrado, metáfora do alimento para a alma, a salvação pela fé, a adoção dos princípios éticos e morais prescritos por Cristo.
Jesus fez da partilha do pão e do vinho o sacramento central da comunidade de seus discípulos — a eucaristia. Ensinou que repartir o pão é partilhar Deus. Repartir o pão era um gesto tão característico de Jesus que isso permitiu aos discípulos de Emaús o reconhecerem (Lucas 24, 30-31).
O pão, portanto, sempre relacionado à experiência de ação de graças nas refeições e atividades diárias. Ao se pensar na precariedade da cultura antiga do povo hebreu e em situações de guerras e invasões, que afetavam a dinâmica social, o pão simbolizava ainda a dependência de Deus.
O que Jesus quis dizer sobre os cachorrinhos que comem das migalhas?
Mesmo os apóstolos pedindo para atender - vinham clamando atrás Dele, Jesus não cedeu e ainda usou de uma metáfora, dizendo que não era lícito tirar o pão da boca dos filhos para dá-lo aos cães. A surpresa maior foi a resposta daquela mulher: da migalha que cai da mesa, os cachorrinhos se alimentam.
Jesus não estava chamando aquela mulher de cachorro. Ele estava dizendo, você não é Israelita, ela era grega, então por isso você é 1 cão. Foi nesse sentido, Jesus não quis humilhá la. Na verdade, dali saiu 1 dos maiores testemunhos de fé.
Afinal, o que significa o Corpus Christi? O próprio nome dado a este feriado já nos dá pistas sobre seu significado: “Corpus Christi”, em latim, quer dizer “corpo de Cristo”. Isto significa que o feriado foi instaurado como uma forma de celebrar o corpo e o sangue de Jesus Cristo, honrando sua morte e ressurreição.
Também chamada de comunhão, a hóstia relembra o momento da última Ceia de Jesus com seus discípulos, significando o Seu próprio sacrifício. Esse momento de comunhão é muito especial durante a Santa Missa, uma vez que, para a comunidade católica, é a presença de Jesus na hóstia consagrada.
O Pão por Deus é uma tradição antiga e muito semelhante ao dia das Bruxas ou Halloween (dos países anglo-saxónicos), no qual as crianças batem às portas pedindo doces ou travessuras (trick or treat).
E, ao mencionar “o pão nosso”, estamos nos referindo não apenas ao alimento material necessário para nossa subsistência, mas também ao Pão da Vida: a Palavra de Deus e o Corpo de Cristo. Esse pão é recebido no “hoje” de Deus, como um alimento substancial no banquete do Reino — que é antecipado na Eucaristia.
Jesus declarou: “Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra.
O pão é considerado um alimento sagrado. Em Êxodo 12:15, na instituição da Páscoa, lemos que o povo deveria se alimentar com pães asmos, ou seja, pão sem fermento. No deserto, Deus manda maná para o povo se alimentar. Assim, em toda a história do povo de Deus o pão fez parte da vida.
O que Jesus quis dizer quando falou "Eu sou o pão da vida"?
Ele poderia ter feito um raciocínio, uma demonstração, mas – como sabemos – Jesus fala por parábolas, e nesta expressão: “Eu sou o pão da vida”, resume verdadeiramente todo o seu ser e toda a sua missão. Isto ver-se-á na sua totalidade no final, na Última Ceia.
O chamado pão espiritual, feito de amor incondicional e de sabedoria, enriquece de paz a vida quotidiana. Ajuda também a lidar as dificuldades próprias da passagem terrena com robustez interior.
Surpreendentemente A palavra “lechem” = “pão” compartilha a raiz com a palavra “milchamá” =“guerra”. A raiz de ambas é ל ח מ. A ligação etimológica sugere que os conflitos - ou seja, a negação da espiritualidade da Torá que propõe a construção de uma sociedade justa e pacífica - derivam da falta de sustento material.