Por dentro do cérebro psicopata "As mais proeminentes teorias deste campo apontam que a amígdala, responsável por processar as informações sobre ameaças, apresenta disfunções entre acometidos por esse transtorno.
Os estudos neurocientíficos têm mostrado que o cérebro dos psicopatas pode funcionar de maneira diferente em várias áreas, principalmente em zonas associadas à empatia, ao controle de impulsos e à tomada de decisões.
“O cérebro dos psicopatas é diferente do ponto de vista anatômico e funcional. Há diferenças nas áreas que processam a cognição e o raciocínio e nas que processam a atividade emocional. A conexão entre estas duas áreas falha”, explica Pujol.
Qual é o papel do córtex pré-frontal na psicopatia?
Basicamente, os psicopatas têm menos conexões entre o córtex pré-frontal ventromedial (ou vmPFC, uma parte do cérebro responsável por sentimentos como empatia e culpa) e a amígdala, relacionada ao medo e ansiedade.
Conforme afirma Eduardo Teixeira (Psiquiatra Forense), pesquisas mostram que o comportamento criminoso está relacionado ao gene HTR2B (responsável pela produção de Serotonina), que pode predispor seus portadores a atitudes impulsivas.
Os psicopatas mostram prejuízo no sistema de neurónios em espelho, sistema esse que, no cérebro saudável, é responsável pela empatia, e fica ativo quando executamos uma ação, ou quando percebemos que outra pessoa fez a mesma ação que nós.
A psicopatia pode acontecer devido a alterações cerebrais, fatores genéticos e traumas na infância, como abuso sexual ou emocional. O diagnóstico de psicopatia é feito por um psiquiatra baseado no "Teste de avaliação de psicopatia de Hare ou PCL-R", em que são avaliadas as características do comportamento da pessoa.
Falamos aqui da amígdala, uma pequena "bolinha" que faz parte do sistema límbico e fica bem no centro desse órgão [não deve ser confundida com as amígdalas palatinas que se localizam ao fundo da boca].
Qual parte do cérebro é responsável pela personalidade?
O córtex pré-frontal (PFC) é o córtex cerebral que cobre a parte frontal do lobo frontal. Essa região do cérebro está envolvida no planejamento de um comportamento cognitivo complexo, na expressão da personalidade, na tomada de decisões e na moderação do comportamento social.
O padrão de comportamento é caracterizado pelo não conformismo com normas legais e sociais e por atos repetidos que podem ser motivo de detenção (quer sejam presos ou não), tais como destruir propriedade alheia, importunar os outros, roubar ou dedicar-se à contravenção. Nos casos extremos, são cometidos assassinatos.
O PCL - R, que é o primeiro exame padronizado exclusivo para o uso no sistema penal do Brasil, pretende avaliar a personalidade do preso e prever a reincidência criminal, buscando separar os bandidos comuns dos psicopatas.
No relacionamento amoroso, uma vez que são incapazes de sentir empatia ou compaixão, não conseguem estabelecer vínculo emocional. Porém, para atrair o outro, realiza um jogo de sedução por meio de encenações e muita lábia. Inventam histórias com o intuito de evocar admiração ou pena.
O córtex pré-frontal ventromedial está comprometido com o raciocínio social e com a tomada de decisões; a amígdala com o julgamento social de faces; o córtex somatosensorial direito, com a empatia e com a simulação; enquanto que a insula, com a resposta autonômica.
Os psicopatas não se envolvem amorosamente. Eles apenas estudam empaticamente o comportamento da vítima para poder prever suas ações e como conquistar. Eles simulam o envolvimento.
Os psicopatas causam sofrimento, pois não têm consciência moral e empatia. Não se comovem com o sofrimento alheio e podem cometer atrocidades sem sentir remorso algum ou temer punições. De acordo com o Código de Moral e Ética, a empatia funciona como um freio para as atitudes humanas.
Não aceitam ser contrariados, frutrados ou rejeitados. Quando algo assim acontece tendem a reagir de maneira impulsiva. A falta de empatia é determinante nesses momentos, pois se torna agressivo e explosivo em questão de segundos, sem se importar com qualquer outra pessoa além de si mesmo.
Uma vez que o hemisfério direito, encontra-se carregado de sentimentos negativos, como raiva e medo, há uma diminuição de atividade nesta área neural. Em contrapartida, no hemisfério esquerdo, concentram-se todas as nossas emoções positivas, como alegria e contentamento.
As áreas de associação heteromodais nos lobos frontal, temporal e parietal integram informações sensoriais, feedback motor e outras informações com as memórias instintiva e adquirida. Essa integração facilita o aprendizado e cria o pensamento, a expressão e o comportamento.
O ego, como o mediador entre as forças que operam no id, no superego e as exigências da realidade externa, estaria relacionado principalmente ao córtex pré-frontal, considerado atualmente a sede da personalidade, importante para a tomada de decisões e ajuste social do comportamento.
Uma pergunta comum é: “Quais são as causas da psicopatia?” Assim como para outros transtornos de desenvolvimento (autismo, por exemplo), não existe uma causa única para a psicopatia. Pesquisas indicam que ela é resultado de uma complexa combinação de fatores de risco genéticos e ambientais (não genéticos).
Esse tipo de transtorno não tem cura, uma vez que os psicopatas não se arrependem ou sofrem com as consequências de seus atos. - Tratar de um psicopata é uma luta inglória, pois não há como mudar sua maneira de ver e sentir o mundo. Psicopatia é um modo de ser - acrescenta.
Estudos apontam o gene MAOA e uma variante do gene CDH13 como genes que podem influenciar o comportamento do indivíduo. O presente trabalho pretende responder questões como essa, além de apontar outros fatores biológicos que influenciam na psicopatia e no comportamento violento.
Sabe-se que o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é altamente comórbido com transtorno de conduta (um precursor teorizado do TPAS) e também pode ocorrer concomitantemente com tendências psicopáticas. Isso pode ser explicado em parte por déficits na função executiva.
Algumas pessoas podem ter uma predisposição genética para comportamentos psicopáticos, mas é o ambiente e as experiências vividas que muitas vezes determinam se essas características vão se manifestar de maneira mais acentuada.