“O termo 'escravo' remete a uma condição natural, enquanto 'escravizado' se refere ao caráter sócio-histórico da condição dos africanos e seus descendentes sob o cativeiro”, argumenta à BBC News Brasil o historiador Petrônio Domingues, professor na Universidade Federal de Sergipe (UFS).
Em linhas gerais, um dicionário contemporâneo define a palavra “escravo” como o que se diz “de pessoa que é considerada propriedade e se acha sob o domínio de um senhor”. “Escravizado”, por ser a forma do particípio passado do verbo “escravizar”, é quem “sofreu escravização”.
Qual o termo mais adequado: escravo ou escravizado?
“O termo 'escravo', por exemplo, faz referência a uma condição natural. Portanto, 'escravizado', que remete a uma situação imposta por outras pessoas, é a palavra correta a ser utilizada. O mesmo acontece com 'escravidão'.
A escravatura, denominada também de escravidão, escravismo, esclavagismo, ou escravagismo, é a prática social em que um ser humano assume direitos de propriedade sobre outro designado por escravo ou escravizado, imposta por meio da violência física ou moral.
E por tudo e por tanto, o correto é escravizado, e não escravo. É tempo do Brasil tratar suas feridas sociais e políticas, oriundas da economia escravista, o que significa atribuir à coletividade, responsabilidade sobre o tema da escravização, de trazer à baila a verdade sobre quem foi oprimido pela aristocracia.
“O termo 'escravo' remete a uma condição natural, enquanto 'escravizado' se refere ao caráter sócio-histórico da condição dos africanos e seus descendentes sob o cativeiro”, argumenta à BBC News Brasil o historiador Petrônio Domingues, professor na Universidade Federal de Sergipe (UFS).
Portanto, o termo “escravo” não deve ser utilizado para se referir a essas pessoas. O correto é usar "escravizado", palavra que dá melhor uma dimensão de condição imposta.
Laurentino Gomes: Números, violência e complexidade da escravidão me surpreendem. Durante quase três séculos e meio, o Brasil foi o maior território escravista do hemisfério ocidental. Sozinho, recebeu 40% dos 12,5 milhões de africanos embarcados à força para o continente americano.
Houve no Egito Antigo, na Babilônia, na Grécia Antiga e na África antes da chegada dos europeus. A própria etimologia da palavra escravo, slave em inglês, vem de "slavo", do povo branco que era escravizado no leste da Europa pelo Império Romano.
Essas leis eram consideradas insuficientes pelos abolicionistas, que demandavam o fim completo da prática da escravização de seres humanos. Antes da Lei Áurea, duas províncias do Império declararam a abolição da escravidão em seus territórios: o Ceará, em 25 de março de 1884, e o Amazonas, em 10 de julho de 1884.
Por 388 anos o Brasil teve sua economia ligada ao trabalho escravo: extração de ouro e pedras preciosas, cana-de-açúcar, criação de gado e plantação de café. A mão de obra escrava era a força motriz dessas atividades econômicas.
Maria do Carmo Gerônimo (1871-2000) é considerada a última pessoa legalmente escravizada no Brasil, ela faleceu aos 129 anos. A mineira Maria do Carmo, segundo certidão de batismo, teria nascido poucos meses antes da Lei do Ventre Livre, portanto só conseguiu se livrar da escravização aos 17 anos.
Uma dessas razões, por exemplo, foi por ser a mão-de-obra negra mais qualificada do que a indígena. Outra forte razão, foram os altos lucros que o tráfico de escravos africanos rendia para os comerciantes. O tráfico era, sem dúvida, uma das atividades mais lucrativas do sistema colonial.
Qual a diferença que você percebe entre as duas expressões escravizadas e escravos?
Portanto, no contexto brasileiro, usar o termo “escravizado” simboliza com mais propriedade que o negro era, contra a sua vontade, obrigado ao trabalho escravo. Enquanto o uso da palavra “escravo”, pode levar a um subentendimento de que a escravidão era intrínseca ao negro, o que não é verdade.
Ele (Cristo Jesus), estando na forma de Deus, não usou de seu direito de ser tratado como um deus, mas se despojou, tomando a forma de escravo. Tornando-se semelhante aos homens e reconhecido em seu aspecto como um homem, abaixou-se, tornando-se obediente até a morte, a morte sobre uma cruz (Fl 2,6-8).
Durante muito tempo foi propagado pela historiografia que os índios foram pouco escravizados, pois não se adaptariam ao trabalho sistemático das lavouras, sendo logo substituídos pelos africanos.
Chefes políticos e mercadores da África Centro-Ocidental (hoje região ocupada por Angola), forneceram a maior parte dos escravos utilizados em toda a América portuguesa.
O Brasil importou mais africanos escravizados do que qualquer outro país e, por aqui, a escravidão durou mais tempo do que em qualquer outra parte do Ocidente.
Empregado público que tem a seu cargo a escrituração das contribuições num concelho ou bairro. Feminino: escrivã. Plural: escrivães. Feminino: escrivã.
Como ficou a vida dos ex-escravos após a Lei Áurea?
As condições ruins e os salários baixos garantiam aos ex-escravos uma posição subalterna e marginalizada na sociedade. O mesmo aconteceu nas grandes cidades, uma vez que esses libertos, sem oportunidades e sem estudo, eram sujeitos a empregos ruins e mal remunerados.
Na legislação brasileira, o artigo 149 do Código Penal prevê os elementos que caracterizam a redução de um ser humano à condição análoga à de escravo. São eles: a submissão a trabalhos forçados ou a jornadas exaustivas, a sujeição a condições degradantes de trabalho e a restrição de locomoção do trabalhador.