Em meio a sua estadia, Martim descobre que Iracema detém o segredo de jurema (uma fruta com a qual se faziam rituais muito sagrados), e que por isso ela deveria manter sua virgindade.
Ela guarda o segredo da jurema, uma bebida ritual dos tabajaras. Isso quer dizer que a jovem é destinada à Tupã e, se a virgem se entregar a qualquer mortal, pagará por sua falta com a própria vida. Apesar disso, ela se apaixona por Martim, o guerreiro branco, e tem com ele um filho.
Sua missão principal seria chefiar seu grupo, na linha de Oxóssi, dedicando-se ao trabalho de limpeza espiritual dos seus filhos, como também a cura física dos mesmos, através da utilização de chás e banhos de ervas.
Além de fornecedora de um elo com o chamado “reino dos encantados”, a jurema é considerada poderosa por ter, nos tempos bíblicos, escondido Jesus Cristo quando este fugia para o Egito. Ao entrar em contato com o pé de jurema, o Salvador teria lhe preenchido com poderes diversos.
Ela é a responsável pelo contato com o mundo espiritual e por ser a forma de poder mais eficaz da tradição", diz o mestre em ciências da religião. Kelida afirma que o culto à Jurema Sagrada lhe trouxe mais do que conhecimento: trouxe autonomia e autoconfiança para trabalhar com as entidades.
Tipificada de um alcalóide de triptamina, é responsável pelo efeito alucinógeno devido à sua atividade no Sistema Nervoso Central (SNC), competindo com os receptores de serotonina.
Jurema é o "plano espiritual" dos espíritos cultuados na difusa "espiritualidade brasileira", que se apresentam como índios. Jurema é uma índia metafísica. Atende pelo nome de Jurema uma apresentação antropomórfica do sagrado florestal. Em rituais, convivem a bebida e a "cabocla" do mesmo nome (Assunção, 2001).
Como já identificado nas pesquisas histórico-antropológicas os exus e as pomba-giras, “o povo da rua”, estão também presentes no Catimbó-Jurema, além da Umbanda e da Quimbanda.
Segundo os juremeiros mais antigos de Alhandra existe um espaço sagrado que os Mestres encantados emanam sua Ciência, que pode ser descrito como Reinos ou Cidades: Jurema, Junça, Vajucá, Manacá, Catucá, Angico e Aroeira, porém eles não apresentam um consenso em sua nomenclatura.
A Cabocla Jurema é uma entidade venerada na Umbanda, simbolizando a conexão profunda com a terra e a espiritualidade indígena. Ela é a guardiã das matas e dos ensinamentos ancestrais, oferecendo proteção e sabedoria aos seus devotos.
As iniciações são práticas geralmente mais simples, como banhos em matas e entrega de oferendas. Há, ainda, a cerimônia do tombo da jurema, que pode ser vista como uma adesão mais séria. É um voto de fé, um juramento.
A Jurema é um pau sagrado onde Jesus chorou.” Fagner diz que este ponto, além de fazer o médium entrar na vibração da roda, serve para educar os consulentes: “Ela vem trazendo uma tradição judaico-cristã, e a Bíblia diz que Jesus orava perto das acácias.
Jurema se apaixonou por um caboclo chamado Huascar, de uma tribo inimiga chamada Filhos do Sol, que fora preso numa batalha. Os dias se passaram e o amor aumentava, pois o pior de amar não é amar sozinho e sim amar sem retorno, pois exige do amado uma ação em prol do amor.
A jurema sagrada é remanescente da tradição religiosa dos indígenas que habitavam o litoral da Paraíba, Rio Grande do Norte e no Sertão de Pernambuco e dos seus pajés, grandes conhecedores dos mistérios do além, plantas e dos animais.
Além disso, fica dividido entre a cultura branca e indígena; ao se afastar da sua cultura, sente falta dela. Essa saudade que Martim sente de sua tribo é o motivo que o leva a se manter distante de Iracema, durante o desenrolar da trama. O romance de Martim e Iracema tem como metáfora a criação do Ceará.
Este é um Reino de Muitos Mestres que viveram no RN e redondezas. Há muitos Caboclos e Pretos-velhos, neste Reino. Diz-se que o Vajucá está divido em duas partes: Uma tomada por florestas e com muitas tribos de índios “brabos” e a outra metade é constituida por caatinga.
O Catimbó-Jurema é um culto híbrido, nascido dos contatos ocorridos entre as espiritualidades indígena, européia e africana, contatos esses que se deram em solo brasileiro, a partir do século XVI, com o advento da colonização.
Nomes vulgares por Unidades da Federação: na Bahia, calumbi e jurema-preta; no Ceará, espinheiro-preto, jurema e jurema- preta; na Paraíba, jurema-preta; em Pernambuco, jurema; no Piauí, jurema-preta; e no Rio Grande do Norte, jurema-preta.
O juremeiro seria aquele sujeito que simplesmente cultua a Jurema, seja frequentando os trabalhos espirituais, ou mesmo estando submetidos às condutas rituais dos terreiros.
Dentre os Caboclos que Oxossi governa estão: Caboclo Cobra Coral, Caboclo Treme Terra e Cabocla Jurema ( Imagem acima ). Sua Saudação no Candomblé é "Oke Aro!" e na Umbanda "Okê Oxossi!".
O nome “Jurema” tem origens indígenas brasileiras, especificamente de línguas tupi-guarani. No contexto indígena, Jurema refere-se a uma variedade de plantas espinhosas, sendo algumas delas usadas em rituais religiosos e cerimônias devido às suas propriedades psicoativas.
Na Umbanda, a Cabocla Jurema é uma das entidades mais veneradas e respeitadas. Ela é vista como uma espécie de mãe protetora da natureza e é associada ao culto às árvores sagradas. Muitas pessoas acreditam que ela tem poder para curar doenças e proteger as pessoas da violência.
A ayahuasca resulta da longa fervura de duas plantas, o arbusto chacrona (Psychotria viridis) e o cipó mariri, ou jagube (Banisteriopsis caapi). Na juremahuasca, usa-se a jurema em lugar da chacrona como fonte de DMT (dimetiltriptamina), substância propriamente alteradora da consciência.
Gosta de calor intenso, e por isso sua propagação em São Paulo (região Sul – Sudeste) é muito difícil, e mesmo que essa árvore cresça por aqui, perde parte das características de cor, aroma, etc. A vibração da árvore jurema, é associada aos Orixás Oxóssi, Obá e Oxalá.