A sociedade do biopoder é uma sociedade do sexo, o qual "tornou-se a chave da individualidade: ao mesmo tempo, o que permite analisá-la e o que torna possível constituí-la" (Foucault, 1976/2010a, p. 159). Se o poder se ocupa da sexualidade, é menos para reprimi-la que para suscitá-la.
O biopoder é um mecanismo que surge para um controle diferente do disciplinar. Porque nesse momento o sujeito já está disciplinado e o controle se exerce sobre grandes grupos já adestrados que formam uma sociedade. Na verdade, a todos esses mecanismos, Foucault denomina de sociedade de controle.
No aspecto prático, políticas de saúde pública, como campanhas de vacinação, contra câncer, o controle de epidemias, a escolha de quais doenças investir recursos, a relação com a longevidade e o controle de natalidade, são modos de exercer biopoder.
Ao passo que o poder disciplinar se faz sentir nos corpos dos indivíduos, o biopoder aplica-se em suas vidas. Enquanto a disciplina promove a individualização dos homens, o biopoder acarreta uma massificação, tendo em vista que ele se dirige não aos indivíduos isolados, mas à população.
Foucault rompe com as concepções clássicas deste termo e define o poder como uma rede de relações onde todos os indivíduos estão envolvidos, como geradores ou receptores, dando vida e movimento a essas relações. Para ele, o poder não pode ser localizado e observado numa instituição determinada ou no Estado.
O filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) cunhou os conceitos de biopoder e de biopolítica, citados pelo sociólogo e economista Francisco de Oliveira em sua análise sobre o Bolsa-Família, programa de transferência de renda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Foucault em seu trabalho fala de um poder que se encontra difuso em todo o corpo social, que não é repressivo, mas sim produtivo e que não pode pertencer a ninguém, pois não é um objeto e sim uma tática, uma técnica que é exercida em relações de forças.
A biopolítica é exatamente o conjunto de mecanismos e procedimentos tecnológicos (saber-poder) que tem como intuito manter e ampliar uma relação de dominação da população.
Qual a ideia principal de Michel Foucault ao falar sobre a microfísica do poder?
Segundo Foucault, o poder não emana de um centro, mas se manifesta nas próprias pessoas, por meio de diversos ângulos periféricos do poder central. Além disso, esses poderes produzem sempre novas articulações, que estão relacionadas à produção de saberes.
Depois de comparar diferentes concepções correntes de poder, mostrando sua de- pendência da noção de um soberano, define-se o poder em Foucault como uma relação assimétrica que institui a autoridade e a obediência, e não como um objeto preexistente em um soberano, que o usa para dominar seus sú- ditos.
Foucault a caracteriza como uma das manifestações do ser da linguagem em sua relação com a morte. Esta análise da escrita literária se encontra atrelada às vicissitudes da experiência moderna e suas relações com os limites da sexualidade, da linguagem e da loucura.
No anátomo-político: Mecanismos disciplinares de controle sobre o corpo, sobre os corpos, por sua quadrícula, pelo recorte mesmo da cidade, pela localização das famílias (cada uma numa casa) e dos indivíduos (cada um num cômodo).
O biopoder é uma tecnologia de regulamentação que tem como objeto o corpo-espécie, a população e suas taxas estatísticas de doenças, nascimentos, etc. A partir de uma visão global, tem como intento criar análises e políticas em nível macro, considerando as taxas de normalidade para cada objeto específico observado.
Este artigo objetiva apresentar o conceito de biopoder em Foucault. Em resumo, biopoder é uma forma de governar a vida, em vigor desde o século 17, que busca otimizar um estado de vida na população para criar corpos economicamente ativos.
Assim, a biopolítica objetiva gerir e garantir um bem-estar social, controlar a segurança do território e da população, enquanto o biopoder, cuida e garante a permanência da espécie.
O poder em Foucault reprime, mas também produz efeitos de saber e verdade. Foucault acreditava que os acontecimentos deveriam ser considerados em seu tempo, história e espaço. De acordo com Veiga-Neto (2003:43), sua obra pode ser dividida em três fases cronometodológicas: arqueológica, genealógica e ética.
O conceito de micro poder se refere à capacidade de influenciar ou controlar situações ou decisões a nível local ou pequena escala, em contraposição ao poder que se exerce em uma escala mais ampla e macro, como a nível nacional ou internacional.
O poder pode ser também produzir, ele “incita, induz, desvia, facilita ou torna mais difícil, amplia ou limita, torna mais ou menos provável; no limite ele coage ou impede absolutamente, mas é sempre uma maneira de agir sobre um ou vários sujeitos ativos, e o quanto eles são suscetíveis de agir” (Foucault, 1985: 243).
Analisar positividades é mostrar segundo que regras uma prática discursiva pode formar grupos de objetos, conjuntos de enunciações, jogos de conceitos, séries de escolhas teóricas. (FOUCAULT, 2013, p. 218). A positividade desempenha um papel do que se poderia chamar um a priori histórico e não um a priori formal.
Foucault (1979)vê o poder como algo difuso, presente nas relações sociais, não vinculado a uma instituição ou indivíduo específico, mas assim como um agente que gera ações e interações na sociedade.